sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Lost - Because you left / The Lie


You lost me. Não assisti ao episódio zero da quinta temporada para me lembrar da pletora de detalhes deixados em aberto no fim da quarta temporada. E exigir que, meses depois, eu me lembre de alguma coisa, por pura força cerebral, nem preciso dizer que isso é tão inútil quanto um corretor de imóveis dentro de uma caixa de sapatos. Nesse ponto, felizmente, eu não estou sozinho. J.J Abrams himself parece não se lembrar direito de muita coisa.

Mas continuarei assistindo. E não fico encabulado de dizer que agora a coisa prossegue muito mais por inércia do que por entusiasmo. Sim, meus amigos, eu perdi o entusiasmo. Antes eu o tinha, agora não o tenho mais. Só por algum motivo, que para ser franco eu ainda não sei bem qual é, eu ainda não consegui juntar forças para simplesmente desistir. E olha que eu venho sustentando há muito tempo que contribuem para humanidade, tanto quanto aqueles que insistem nas boas ideias, os que prontamente desistem das parvoíces ordinárias -- aliás, gosto de pensar na minha existência como uma sucessão desse tipo de contribuição para a raça humana. Bom, e voltando ao assunto, se talvez seja verdade que continuar assistindo a Lost não chega a ser uma parvoíce ordinária, boa ideia, isso é que não é. Até agora, parece, foram 85 episódios. Pensar que eu gastei umas 85 horas da minha vida assistindo a essa coisa só não chega a me deprimir pelas alternativas que estavam ao meu alcance. Porque, em todo caso, é muito tempo dedicado a algo que já perdeu os últimos vestígios de significado, de coerência e de lucidez.

Esses dois episódios novos terminaram mais ou menos assim. Os que tinham saído da ilha estão quase chegando a um consenso de que é preciso voltar. Ninguém menos que o próprio Ben está cuidando da logística dessa operação. Jack, por natural, é o mais desesperado. John Locke, que aparecera cadáver no final da quarta temporada (disso eu me lembro porque quando se noticiou que a pessoa morta atendia por Jeremy Bentham, qualquer um poderia descobrir que era uma alusão ao Locke), é visto, em flashbacks, assomando pela floresta e dando facadas providenciais nos inimigos. Hurley escapa do hospício com a ajuda de Sayid. Pouca ação acontece no front da Kate e da Sun.

Enquanto isso, na ilha, Daniel consegue arregimentar um pequeno grupo de seguidores, ao oferecer explicações sumamente vagas ao que está acontecendo com a ilha -- isto é, aos clarões ruidosos seguidos do instantâneo desaparecimento/deslocamento de coisas da frente das pessoas. Quem mais o contesta, chegando a esmurrar, é o Sawyer.

Aproveito para fazer mais uma observação desnecessária. Acho que o excedente habitacional da ilha, simbolizado por um tal de Neil que aparece não sei de onde, será continuamente oferecido em holocausto para que a história ande. Se é já difícil manter em ordem os mais ou menos 15 personagens que participam realmente da trama, fico imaginando como deve ser complicado, para os escritores, situar (meio que escondendo, na verdade), uma sessenta pessoas dentro de uma única ilha. Uma forma que eles encontraram de liquidar algumas vidas foi atravessando flechas incandescentes por cima das árvores e fazendo com que elas penetrassem o organismo das pessoas mais distraídas. E fizeram questão de mostrar pessoas sendo atingidas e sendo deixadas ao Deus dará. Parcimoniosa muito além de qualquer limite, a Juliet ficou tentando jogar terra em cima de um incinerado. Precisou vir o Sawyer e arrancá-la do estupor.

2 comentários:

lefty disse...

and?

Neto Torcato disse...

Ah, o post foi só para dar notícia mesmo do episódio. E antecipar o que vai acontecer, ou mesmo explicar o que já aconteceu, é um privilégio do qual todos nós já abrimos mão, não é mesmo? Meramente dizer que o navio que estava pegando fogo sumiu do horizonte, aliás, já pode me custar algumas amizades.

 
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